Entrevista com Carlos Mário

Carlos Mario Slingshot

Carlos Mário, mais conhecido como Bebê, é o único atleta a ter vencido um evento PKRA em sua primeira participação. Com apenas 17 anos, o menino prodígio brasileiro impressiona com seu estilo e facilidade de completar as manobras mais complexas. Em uma entrevista especial para o VKWC World Tour, Bebê conta um pouco de sua história e planos para a sua carreira.

Nome: Carlos Mario Monteiro da Silva

Nacimento: 22/01/1998

Cidade: Caucáia – Ceará – Brasil

Locais favoritos: Lagoa do Cauípe, Jericoacoara, Barra Grande (Brasil) e Dakhla (Marrocos)

 

carlos mario podium

VKWC: De onde você é?

Eu moro com meus irmãos, tios e primos em uma pequena vila de pescadores na Lagoa do Cauipe (Cumbuco, Brasil), local que esta crescendo graças ao turismo internacional proveniente do kitesurf. Minha família, assim como vários por aqui, são muito humildes. Agora mesmo meu avô continua pescando de forma tradicional.

VKWC: Como você descobriu o kitesurf?

Eu comecei a fazer kite muito cedo graças ao meu tio Goiaba, o primeiro kitesurfista da família. Foi ele que ensinou o meu irmão Carlos Madson e eu. Tivemos sorte, pois a Lagoa de Cauipe é um lugar perfeito para aprender e praticar. É um local de renome internacional para o freestyle! Quando criança, eu estava sempre na água e eu tive a oportunidade de conhecer muitos riders brasileiros e gringos que gostavam do meu estilo e me emprestavam seus equipamentos para que eu pudesse treinar. Graças a essa ajuda, eu finalmente fui capaz de começar a minha carreira no kitesurf.

VKWC: Foi difícil começar a competir no Brasil? Como você fez para poder participar da sua primeira etapa do PKRA na Argentina em 2013?

No início foi difícil porque eu não tinha dinheiro suficiente para comprar equipamentos. Eu tive a oportunidade de competir graças à grande ajuda de um grande amigo chamado Reginaldo Silva. Quando eu o conheci em 2012, ele teve o sonho de ajudar um atleta de kitesurf, porque ele amava este esporte há muito tempo. Ele me viu velejando e foi acreditando, tanto que ele me inscreveu no campeonato brasileiro 2013.

carlos mario reginaldo

VKWC: Ele também ajudou a você com os equipamentos …

Com suas próprias economias, Reginaldo Silva comprou pipas, pranchas e botas. Além disso, ele pagou para algumas passagens e me deu dinheiro para me manter.  Eu venci o campeonato brasileiro em 2013 e como o campeão, me ofereceram um voo para competir na etapa do PKRA na Argentina. “Regis” entrou em contato com seus amigos na Argentina que me ofereceram alimentação e hospedagem. Com tudo isso, eu estava pronto para competir o mundial.

“Eu nunca fico nervoso em competições. Quero apenas aproveitar cada bateria como se fosse mais uma session.”

VKWC: Você estava nervoso antes de sua primeira participação no World Tour? Você tinha alguma estratégia para vencer grandes nomes como Marc Jacobs e Alex Pastor?

Todos me perguntam como eu lidei com a pressão, mas eu nunca fico nervoso em competições. Quero apenas aproveitar cada bateria como se fosse mais uma session. Vejo vários riders nervosos e posso entender isso. Acho que é bastante comum em campeonatos de alto nível. Quanto à estratégia, não, eu não tenho nenhuma para vencer algum atleta. Procuro treinar forte! Reginaldo me aconselha em focar nos treinamentos que o resultado virá naturalmente. Regis esta me ajudando também a analisar minhas baterias e de meus adversários para entender melhor o critério de julgamento. Assim estou ciente de quais manobras executar para ganhar mais pontos.

VKWC: Após este evento, várias marcas entraram em contato com você oferecendo algum patrocínio ?

Logo após o evento na Argentina, sete grandes marcas de kite entraram em negociação com o Reginaldo. Ele me explicou todas as opções e acabamos escolhendo Slingshot.

VKWC: O qualifying em Dakhla este ano foi de extrema importância para se qualificar para o evento principal durante a metade do tour 2015. Você conseguiu se qualificar e ainda fazer uma das melhores médias do evento, vencendo Alex Neto e Michael Schitzhofer. O que aconteceu na sequência ?

Estava entrando em uma manobra, quando fui atingido por uma rajada que arrancou a barra das minhas mãos e eu cai de lado na água com muita força. A queda foi forte, tanto que meus pés saíram da bota. Logo após, fiz alguns testes e descobri que havia distendido um músculo do ombro, que me impediu de competir pelo resto do evento. Depois de uma pausa, consegui me recuperar, e estou pronto para o evento da Venezuela. Estou querendo mostrar realmente o que eu sou capaz de fazer novamente.

VKWC: Ouvimos dizer que você estava treinando forte antes de sofrer essa lesão, e esta puxando os seus limites, pousando manobras como um Backside 319 (Blindjudge 9). Você já ouviu falar de outra pessoa que consiga fazer esta manobra ?

Antes de Dakhla, eu treinei muito duro, mas faço as manobras com segurança. Estou sempre observando outros riders para poder absorver o melhor de suas técnicas e habilidades. Este ano, o meu objetivo é tentar o melhor ranking possível no VKWC. O treinamento faz parte da minha vida diária, como eu vivo em frente a Lagoa do Cauípe, posso treinar de 4 a 5 horas por dia e ainda frequentar a escola. Sobre o Backside 9, nunca vi ninguém executar essa manobra.

Carlos Mario action

Fotos – Toby Bromwich & Hugo Valente

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