Entrevista com Marcelo Gervini, membro da IKA

O Brasil tem se destacado muito no Kitesurfe em todas as modalidades. Agora temos um membro na IKA, Marcelo Gervini, O GoKite o entrevistou para conhece-lo e trazer algumas questões relevantes aos velejadores de kitesurfe.

Marcelo Gervini

 

[GK] Marcelo, conte-nos como que você chegou na IKA, qual a sua função e os desafios a serem vencidos na IKA?

[MG] Foi uma surpresa o convite a participar das eleições para o cargo de Vice-Presidente de Treinamento e Desenvolvimento. O processo iniciou com o envio do Curriculum Vitae e carta de indicação por parte da Confederação Brasileira de Vela, seguidos da apresentação por videoconferência a todos os países que fazem parte da World Sailing, sendo votantes somente os 28 países membros integrais da International Kiteboarding Association. Concorreram ao cargo representantes do Irã e da Argentina. Obtive 24 votos nas eleições online.

Os desafios do cargo são muitos, entre eles a implementação da padronização do ensino, o desenvolvimento seguro da Classe, além da ajuda para os países e continentes menos desenvolvidos como Africa, Oceania, Caribe entre outros.

[GK] Com o kitefoil olímpico em 2024, atualmente temos vários fabricantes registrando equipamentos na IKA para que os atletas usem na olimpíada e em competições oficiais. Como funciona o processo de registro dos equipamentos junto a IKA?

[MG] O processo de registro e homologação dos equipamentos para o ciclo olímpico segue as mais rígidas normas estabelecidas pela World Sailing para todas as classes da vela. Inicia com o convite aberto a todos fabricantes, determinação dos prazos, envio dos dados requisitados, medidas e tolerâncias oficiais da Classe, inspeção das fábricas, produção, dados de garantia e inspeção de qualidade das peças, em suma.

[GK] Este ano de 2020 tem sido um desafio mundial para o esporte devido ao COVID19. Quais os planos da IKA para retomar os eventos de kitesurf, as competições ainda em 2020?

[MG] Todos os membros do conselho se reúnem a cada duas semanas para debater os dados pandêmicos e avaliar as possíveis alternativas para a retomadas das atividades ainda em 2020. A principal questão é que muitos países não estão podendo enviar atletas, o que é o ponto mais importante quando temos um campeonato a nível mundial, a capacidade de representação.

[GK] A IKA é uma associação mundial que precisa apoiar a formação de novos atletas. Como que a IKA apoia países e entidades na formação de novos atletas?

[MG] A IKA oferece todo suporte às confederações de vela dos países integrantes da World Sailing, por meio de níveis de treinamento para dirigentes e técnicos que irão aplicar esses conhecimentos em suas flotilhas.

[GK] Como que a IKA pode ajudar os velejadores a participarem de mais competições? Por exemplo, eles precisam viajar, se hospedar e pagar a taxa de inscrição de E200 euros. Para países como o Brasil, torna-se inviável devido a nossa moeda.

[MG] A responsabilidade pelo custeio de um atleta é própria ou de patrocinadores mas, conforme o desenvolvimento da classe ocorre, as Confederações de Vela nacionais tendem a custear integral ou parcialmente os valores correspondentes.

Marcelo Gervini é praticante da modalidade!

[GK] Está definido que o modelo de competição na olimpíada será em duplas. Explique como que a IKA chegou a conclusão que este é o melhor modelo? Isto não desestimula velejadores que não tem uma dupla?

[MG] Pressionada pelo Comitê Olímpico Internacional para ter um número igual de atletas do sexo masculino e feminino nos Jogos de Tóquio de 2020, a World Sailing acrescentou mais vagas nos eventos femininos para atingir esse objetivo. E então, a organização votou no outono passado pela equidade total de gênero – no número de atletas e no número de medalhas – nas Olimpíadas de 2024 em Paris.

A vela, que no atual ciclo olímpico concederá duas medalhas a mais para homens em relação a mulheres, alcançará a equidade em 2024. Parte disso, se deverá a adição de regatas que não compunham o esporte: uma regata offshore mista para duas pessoas e um revezamento misto de kitesurfe.

“Se você quer ser relevante no futuro, precisa acertar os balanços de gênero”, disse Kim Andersen, presidente da World Sailing, em novembro. “Na vela, temos que ser interessantes para os jovens e elevar o nível do esporte misto”.