Como executar o gybe no hydrofoil?

Velejar de foil tem crescido muito, o prazer de voar sobre a água é indescritível. O primeiro passo é aprender a manter a prancha no ar, seja com um bote ou um jet-ski puxando para você aprender, sentir e entender o funcionamento.

No entanto, com o passar do tempo é preciso realizar as transições (gybe e cambada). O que normalmente acontece com velejadores novos ou até intermediários é parar, se jogar na água, trocar a prancha e lado e iniciar o velejo novamente. Aprender as transições não é uma tarefa fácil, sabemos que requer muito treino e dedicação, mas algumas dicas são válidas para ajudá-los.

Apesar de ser difícil de descrever o gybe (transição girando a favor do vento), neste artigo tentarei dar um passo a passo. Primeiro você deve tentar fazer com a prancha na água para depois fazer com a prancha no ar, flutuando. Então, pense que você está em velocidade constante, escolha o momento de iniciar o gybe, dê uma leve orçada, encoste a prancha na água mas não deixe mudar de posição (assim já perderá um pouco de velocidade), traga o kite para a posição 12h, puxe a barra para dar um power no kite e não deixá-la morrer no ar, coloque o pé oposto na alça da frente, gire o corpo de forma que o pé da frente já vai para a alça traseira e vá girando a prancha na direção da curva.

Isto tudo ocorre com o kite a partir das 12h, fazendo o downloop suave, nem que você ajude puxando a linha da barra para que o kite gire mais rapidamente. É um processo de sincronia total, realizar os passos anteriores e estes do kite ao mesmo tempo. Por isto requer treino constante.

 

 

Muitos velejadores gostam de fazer o gybe ficando de toeside e depois trocar a base, é válido também, depende da habilidade de cada um, pois a maioria já velejava com prancha de surf e realiza tais movimentos.

Em relação à posição do kite, se você não executar o downloop e fizer o tradicional (como na bidirecional) de trazer o kite em 12h, girar a prancha e depois posicionar o kite em 15h, perderá tempo, a prancha literalmente para na água e não dá sequencia no movimento.

Uma vez assimilado e treinada esta sincronia, você pode começar a fazer o gybe no ar. O processo é o mesmo, porém as dicas são: dar o power na barra para te sustentar no ar, sem pressionar a prancha com o seu peso na frente, senão o bico afunda e enterra na água; além de no momento da troca dos pés você se manter sustentado pelo kite e girar na prancha ao mesmo tempo. Loucura! sim, mas lembre-se que isto requer muitas repetições até você assimilar tudo. Faça o processo todo em baixa velocidade, e aos poucos você ganhará confiança para então, tentar se aproximar do ponto de manobra com mais velocidade.

O que pode dar errado no gybe? O erro mais comum que já aconteceu comigo 2 vezes é errar o momento de trocar a base dos pés e o kite já girou, foi rápido demais, o kite deu um puxão forte e arrebentaram 2 linhas do lado que fez a maior força. Ou, girar a prancha e deixar o kite ficar atrás da cabeça, ou seja, passar do ponto de ter girado o kite, ocasionando do kite cair na água.

Separei 3 vídeos excelentes que já assisti milhares de vezes. O primeiro é do Theo De Ramecourt, francês que executa com tanta facilidade que parece fácil 🙂 Note os momentos que antecedem o gybe, que ele coloca o kite em cima da cabeça, puxa a barra para sustentar o peso, troca as bases e gira o corpo, tudo sincronizado.

 

Neste outro, os velejadores do Salty Brother Films rodaram em câmera lenta, o que nos ajuda muito no entendimento da transição.

 

E neste outro com kites grandes e condições perfeitas de vento, podemos aprender em detalhes.

 

E seja persistente e resiliente, treine pensando passo a passo até compreender e assimilar o gybe. Garanto que ao executar o primeiro gybe no ar, seu sorriso abrirá por dias.

Renato Haddad (@renatokite) é velejador de Hydrofoil, canoa havaiana e bike.